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Hoje,
mês de julho, madrugada clara, lua cheia, promessa
de sol, acordei pensando. Na carreira de prata , pelo
tempo, serviço público cinqüentenário,
aniversário e nos amigos.
Fiquei triste e saudoso do tempo que já se foi
e não volta mais, Mas que a mente não
consegue apagar.
O tempo da grande cultura jurídica, em que os
projetos e leis importantes eram preparadas pelos juristas
de escol, sábios e intérpretes dos princípios
e conceitos do Direito Universal.
São normas que têm avançado no tempo,
duradouras, eficazes sem que surgisse alguém
para modificá-las no seu todo e a contento.
Mas, no conjunto jurídico, nesta oportunidade,
eu lembro de alguém, peculiar, persistente, culto,
e humano ao mesmo tempo.
Ele, conhecido por alguns como Nelsinho, para outros
como Nelson França, que o tem o nome completo
de Nelson Galvão de França. Conheci Nelson
no início de sua carreira, em Paraibuna.
Julgador emérito da tradição pretoriana,
íntegro nas suas convicções, que
chegava a ponto de proferir sentenças, com a
pena máxima, sem tolerância com o crime
mas, por outro lado, benevolente com a família
do condenado, e até com ele, transgressor e,
ainda mais com a sociedade vitimada.
Assim, o tempo passou e o julgador da tradição,
dispensou parte de sua vida, distribuindo Justiça,
na alegria e na tristeza, na saúde e na doença,
fazendo escola. Lembro-me que já na sua trajetória,
sua força de trabalho já não era
tanta, a ponto de se acomodar no sofá de seu
gabinete, no intervalo das audiências, para se
recuperar de algum mal estar, para depois prosseguir,
cumprindo horário e decidindo tudo no seu tempo
certo. Depois de tanto, ele se afasta da batalha do
dia a dia, em razão do tempo e do cansaço.
Sai como retirante ilustre, mas deixando na memória
de todos o seu saber, a sua cultura e o seu gosto pelo
trabalho e pelos estudos, quando em média lia
três livros por mês, em questões
diferenciadas.
Ele saiu do palco, mas não dos bastidores.
Os magistrados de agora precisam tanto se espelhar nele,
deixando o mundo fácil das apostilas, modelos
e livros do momento, voltando à tradição
dos nossos antepassados.
O retirante ilustre do recinto pretoriano, continua
no trabalho solitário, cuidando da família,
da saúde e, possivelmente, das saudades de tempo
de criança, e da juventude, que por certo ficam
na memória, como experiência viva de quem
deu tudo de si e venceu na vida.
Assim, é justo e razoável que hoje se
ofereça um brinde à Cultura e cultue o
seu representante, Nelson Galvão de França,
pai amoroso, , marido dedicado, e expressão maior
de um magistrado, com o nosso muito obrigado.
Dr.Romeu Estevão Ramos
Juiz de Direito, Lapa.
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