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05.Outubro.2005
Homenagem

A Cultura e o Culto.
Dr. Romeu Estevão Ramos

 

Hoje, mês de julho, madrugada clara, lua cheia, promessa de sol, acordei pensando. Na carreira de prata , pelo tempo, serviço público cinqüentenário, aniversário e nos amigos.
Fiquei triste e saudoso do tempo que já se foi e não volta mais, Mas que a mente não consegue apagar.
O tempo da grande cultura jurídica, em que os projetos e leis importantes eram preparadas pelos juristas de escol, sábios e intérpretes dos princípios e conceitos do Direito Universal.
São normas que têm avançado no tempo, duradouras, eficazes sem que surgisse alguém para modificá-las no seu todo e a contento.
Mas, no conjunto jurídico, nesta oportunidade, eu lembro de alguém, peculiar, persistente, culto, e humano ao mesmo tempo.
Ele, conhecido por alguns como Nelsinho, para outros como Nelson França, que o tem o nome completo de Nelson Galvão de França. Conheci Nelson no início de sua carreira, em Paraibuna.
Julgador emérito da tradição pretoriana, íntegro nas suas convicções, que chegava a ponto de proferir sentenças, com a pena máxima, sem tolerância com o crime mas, por outro lado, benevolente com a família do condenado, e até com ele, transgressor e, ainda mais com a sociedade vitimada.
Assim, o tempo passou e o julgador da tradição, dispensou parte de sua vida, distribuindo Justiça, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, fazendo escola. Lembro-me que já na sua trajetória, sua força de trabalho já não era tanta, a ponto de se acomodar no sofá de seu gabinete, no intervalo das audiências, para se recuperar de algum mal estar, para depois prosseguir, cumprindo horário e decidindo tudo no seu tempo certo. Depois de tanto, ele se afasta da batalha do dia a dia, em razão do tempo e do cansaço.
Sai como retirante ilustre, mas deixando na memória de todos o seu saber, a sua cultura e o seu gosto pelo trabalho e pelos estudos, quando em média lia três livros por mês, em questões diferenciadas.
Ele saiu do palco, mas não dos bastidores.
Os magistrados de agora precisam tanto se espelhar nele, deixando o mundo fácil das apostilas, modelos e livros do momento, voltando à tradição dos nossos antepassados.
O retirante ilustre do recinto pretoriano, continua no trabalho solitário, cuidando da família, da saúde e, possivelmente, das saudades de tempo de criança, e da juventude, que por certo ficam na memória, como experiência viva de quem deu tudo de si e venceu na vida.
Assim, é justo e razoável que hoje se ofereça um brinde à Cultura e cultue o seu representante, Nelson Galvão de França, pai amoroso, , marido dedicado, e expressão maior de um magistrado, com o nosso muito obrigado.

Dr.Romeu Estevão Ramos
Juiz de Direito, Lapa.


 

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