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MODELOS DE
DESPACHOS, DECISÕES E SENTENÇAS(*)
(Luiz Guilherme Marques - Juiz de Direito da 2ª
Vara Cível de Juiz de Fora - MG)
O ideal para as petições iniciais seriam
os formulários e para as sentenças que
se resumissem à parte dispositiva, sem relatório
nem fundamentação, como se faz no Processo
Civil inglês.
No entanto, esses padrões estão muito
distantes da nossa realidade.
Proponho, então, medidas mais amenas para o nosso
gravíssimo problema de morosidade processual.
Como se sabe, a questão é conjuntural
e sua solução englobaria diversos fatores.
Aqui, restrinjo-me à área de atuação
dos juízes e apresento uma sugestão plausível,
baseada nas observações do dia-a-dia.
Desde meu começo na magistratura, em 1987, utilizo,
o mais que posso, modelos de despachos, decisões
e sentenças. Os modelos de SIDNEI AGOSTINHO BENETI
(constantes do seu livro Modelos de Despachos e Sentenças)
são excelentes, ao lado dos raros autores que
se dedicam a esse utilíssimo tipo de literatura
jurídica.
Nos primeiros anos, sem os recursos da Informática,
imprimia os textos e, nos casos concretos, completava-lhes
os claros à mão ou à máquina
datilográfica. Utilizava também carimbos
em grande quantidade, para textos menores.
Em resumo, tinha muita coisa pronta ou semi-pronta,
para que o serviço andasse rápido e com
um mínimo de trabalho "braçal".
Em 1994, quando passei a utilizar maciçamente
a Informática, elaborei meu Banco de Dados de
modelos em arquivos word. Passei a utilizar também
etiquetas impressas através do computador, estas
para textos mais curtos.
Com o aumento impressionante e incontrolável
de processos, somente com a utilização
planejada e avançada da Informática os
juízes poderão administrar bem sua carga
de trabalho.
O grande problema é que a prolixidade é
ainda uma regra e até os modelos pecam pelo excesso
de palavras. Também não é para
menos, pois geralmente foram redigidos quando o número
de processos era inexpressivo se comparado com o atual.
A sugestão é a seguinte: os Tribunais
(através, por exemplo, de suas Escolas Judiciais)
e as Comissões Supervisoras de Juizados Especiais,
cada qual na sua respectiva área, poderiam elaborar
modelos e encaminhá-los em formato eletrônico
aos juízes. Esses modelos deveriam ser resumidos,
claros e objetivos, de despachos, decisões e
sentenças para serem utilizados nos mais variados
e possíveis tipos de situações
processuais.
O trabalho dos assessores e estagiários dos juízes
ficaria facilitado, enquanto que o rendimento seria
muito maior.
Não rebaixa o trabalho dos juízes, como
se dizia há tempos atrás, mas sim adequa
esse trabalho à época atual.
Em vez de prolixidade e preciosismo, necessita-se de
clareza dos textos, justiça nos atos decisórios
e rapidez na solução das demandas.
Fica, assim, esta sugestão simples, mas não
simplista nem simplória.
(*) Dedico este texto a SIDNEI AGOSTINHO BENETI
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